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Violência externa no trabalho 2026: 7 falhas no PGR

29 de julho de 2026


Violência externa no trabalho em 2026 precisa ser tratada como risco ocupacional real em empresas com portarias, recepções, lojas, clínicas, hospitais, escolas, farmácias, supermercados, restaurantes, transporte, cobrança, condomínios, atendimento ao público, vigilância, entregas, trabalho externo, postos isolados e equipes que lidam com clientes, pacientes, usuários, visitantes, moradores, alunos, familiares, fornecedores ou terceiros. O erro das empresas é considerar agressões verbais, ameaças, intimidação, assédio de clientes, conflitos, tentativas de invasão, tumultos, furtos, brigas, pressão emocional e violência patrimonial como “problemas do público”, sem transformar esses eventos em PGR, PCMSO, plano de emergência, treinamento, comunicação, registro de ocorrências e proteção efetiva ao trabalhador.

A Organização Internacional do Trabalho afirma que violência e assédio afetam a segurança e a saúde das pessoas no trabalho e prejudicam o direito à igualdade e à não discriminação. A Organização Mundial da Saúde também reconhece violência e assédio como risco ocupacional importante no setor saúde, informando que profissionais de saúde enfrentam riscos psicossociais, violência e assédio no trabalho.

No Brasil, a lógica preventiva passa pelo PGR. A NR-1 organiza o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais como conjunto de ações coordenadas de prevenção para garantir condições e ambientes de trabalho seguros e saudáveis, com inventário de riscos e plano de ação. Isso permite tratar violência externa como fator ligado à organização do trabalho, ao ambiente, ao público atendido, ao horário, ao isolamento do posto, à segurança patrimonial, à comunicação e ao tempo de resposta.

Por Lucas Esteves, Especialista em Medicina e Segurança do Trabalho e Sócio da AMBRAC.

Conteúdo da Postagem:

Por que violência externa precisa entrar no PGR

Violência externa é aquela que vem de fora da relação direta entre empregado e empregador: cliente exaltado, paciente agressivo, familiar insatisfeito, usuário em crise, visitante hostil, assaltante, morador, aluno, fornecedor, motorista, entregador, passageiro, comprador, pessoa não autorizada ou qualquer terceiro que gere ameaça, intimidação, agressão, dano ou risco à integridade do trabalhador.

Em muitas empresas, esses episódios são tratados como “parte do atendimento”. O trabalhador é xingado, ameaçado, intimidado, empurrado para decisões sob pressão, exposto a conflito e depois orientado apenas a “ter calma”. Isso não é gestão de SST. Quando o evento se repete, quando a função exige contato com público difícil, quando há histórico de ocorrências ou quando o posto é vulnerável, o risco deve ser identificado, avaliado e controlado.

A NR-17, embora seja conhecida por ergonomia, estabelece parâmetros para permitir adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Em atividades de atendimento, a organização do trabalho, a pressão emocional, o ritmo, a comunicação e o suporte da liderança podem influenciar diretamente a exposição a conflitos e adoecimento.

“Violência externa no trabalho não deve ser tratada como azar ou problema de comportamento do cliente. Se a empresa sabe que a função expõe o trabalhador a ameaças, agressões verbais, conflitos, tumultos, invasões ou atendimento de alto desgaste, precisa transformar isso em risco mapeado, plano de ação, treinamento, registro e resposta.”

Lucas Esteves, AMBRAC

Violência externa não é apenas agressão física

O erro mais comum é só reconhecer violência quando há lesão visível, polícia, afastamento ou dano patrimonial. Mas, do ponto de vista ocupacional, o risco pode começar antes: ameaças, humilhações, constrangimento, perseguição, gritos, pressão indevida, discriminação, assédio de clientes, intimidação, tentativas de invasão, exposição pública, filmagens hostis, conflitos recorrentes e medo constante no posto.

Essas situações podem afetar saúde mental, sono, atenção, relacionamento com a equipe, absenteísmo, rotatividade e desempenho. Também podem aumentar risco de acidente quando o trabalhador, sob pressão, toma decisões rápidas, opera sistema, dirige, movimenta carga, controla acesso, manipula dinheiro, responde a emergência ou permanece sozinho em posto vulnerável.

A OMS informa que trabalhadores da saúde enfrentam riscos ocupacionais que incluem perigos psicossociais, violência e assédio, além de outros riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. Embora o setor saúde seja um exemplo crítico, a lógica também vale para outras atividades com atendimento direto ao público.

Tabela prática: violência externa, risco e controle recomendado

Situação Risco ocupacional Controle recomendado
Portaria e controle de acesso Ameaças, tentativa de invasão, conflito com moradores, visitantes ou prestadores Protocolo de acesso, botão de emergência, comunicação, barreiras físicas e apoio rápido
Lojas, mercados e farmácias Conflito com clientes, furtos, cobrança, filas, reclamações e exposição no caixa Treinamento, supervisão próxima, layout seguro, regra de acionamento e registro de ocorrências
Clínicas, hospitais e recepções de saúde Agressividade de pacientes, familiares, espera prolongada, dor, medo e alta carga emocional Fluxo de acolhimento, comunicação clara, apoio da liderança e medidas contra visitantes de alto risco
Escolas e atendimento educacional Conflitos com responsáveis, alunos, visitantes, cobrança e exposição de professores e secretaria Canal formal de atendimento, proteção da equipe, protocolo de reunião e escalonamento de conflitos
Trabalho externo e entregas Violência urbana, locais inseguros, assédio, ameaça, roubo e falta de suporte imediato Roteiro, check-in, regra de interrupção, comunicação e orientação sobre locais de risco
Cobrança, atendimento difícil e reclamações Pressão emocional, agressões verbais, ameaças e risco psicossocial Script institucional, suporte ao trabalhador, limite de atendimento e registro de reincidências

A tabela mostra que violência externa não se resolve apenas com “pedir paciência” ao trabalhador. A empresa precisa controlar ambiente, fluxo, comunicação, liderança, escala, posto, layout, emergência e registro.

As 7 falhas críticas na violência externa no trabalho

1. Tratar ameaça e agressão verbal como parte do atendimento

A primeira falha é normalizar o desrespeito. Em recepções, caixas, SAC, clínicas, escolas, portarias e lojas, é comum o trabalhador ouvir que “cliente é assim mesmo”, “tem que aguentar”, “não leva para o pessoal”, “isso faz parte da função”. Essa cultura transforma violência em rotina.

A OIT afirma que violência e assédio afetam a segurança e a saúde no trabalho. Portanto, quando o trabalhador sofre agressões verbais, intimidações ou ameaças de terceiros, a empresa precisa registrar, avaliar e agir, especialmente quando há repetição ou exposição previsível pela função.

A conduta correta é criar limite institucional: o trabalhador não deve ser abandonado no conflito. Deve existir orientação, apoio da liderança, protocolo de encerramento de atendimento em situação insegura, canal de registro e análise das ocorrências.

2. Não mapear postos vulneráveis no PGR

A segunda falha é deixar portarias, recepções, caixas, balcões, farmácias, atendimentos noturnos, salas isoladas, estacionamentos, entradas de emergência, áreas externas e rotas de entrega fora do PGR. Muitas empresas mapeiam risco físico e biológico, mas ignoram exposição a terceiros hostis.

A NR-1 exige que o PGR acompanhe continuamente as atividades da empresa por meio da execução das medidas previstas no plano de ação, com revisão quando mudanças em ambientes, processos, condições, procedimentos ou organização do trabalho modificarem riscos existentes.

Na prática, o PGR deve responder: onde há maior chance de conflito? Em quais horários? Com quais trabalhadores? Há atendimento sozinho? Há barreira física? Há botão de emergência? Há câmera? Há apoio rápido? Há histórico de ocorrências? Sem essa leitura, a empresa reage apenas depois do dano.

3. Não registrar ocorrências menores

A terceira falha é registrar apenas eventos graves. Discussões, ameaças, humilhações, tentativa de invasão, cliente reincidente, visitante agressivo, perseguição, filmagem hostil e intimidação são tratados verbalmente e desaparecem da gestão.

Sem registro, a empresa não enxerga padrão. Pode haver o mesmo cliente, mesmo horário, mesmo setor, mesmo posto ou mesma falha de processo gerando conflitos repetidos. Quando não há histórico, a liderança acredita que cada episódio é isolado.

O registro não precisa ser burocrático. Deve conter data, local, função, tipo de ocorrência, condição do posto, providência adotada, necessidade de apoio, reincidência e encaminhamento. O objetivo não é culpabilizar o trabalhador; é revelar riscos repetidos.

4. Colocar trabalhador sozinho em posto de conflito

A quarta falha é manter trabalhador sozinho em recepção, portaria, loja, posto externo, estacionamento, unidade remota, fechamento de caixa, atendimento noturno ou setor de reclamação, sem suporte imediato. O isolamento agrava o risco.

Quando a violência externa ocorre em posto isolado, o trabalhador pode não conseguir pedir ajuda, pode demorar a ser percebido, pode tomar decisões sob medo e pode sofrer maior desgaste psicológico. Isso conecta o tema à gestão de trabalho sozinho ou isolado.

A prevenção deve prever dupla em horários críticos quando necessário, supervisão próxima, contato periódico, botão de emergência, canal alternativo, regra de não resposta, apoio de segurança e possibilidade de interromper o atendimento quando houver risco.

5. Transferir todo o risco para vigilância ou portaria

A quinta falha é achar que o problema é “da segurança”. A equipe de vigilância, portaria ou recepção vira escudo entre a empresa e todos os conflitos: cliente irritado, visitante sem documento, morador agressivo, familiar exaltado, fornecedor impedido, paciente insatisfeito, aluno em crise, usuário sem autorização.

Segurança patrimonial é importante, mas não substitui política institucional, comunicação clara, regras de acesso, gestão de filas, sinalização, apoio da liderança, treinamento, desenho do ambiente e atendimento organizado. Quando a operação gera conflito e empurra tudo para a portaria, a empresa cria risco ocupacional.

O problema não é apenas conter a crise. É reduzir a probabilidade de crise por falha de processo.

6. Não integrar violência externa ao PCMSO

A sexta falha é ignorar o impacto na saúde. Trabalhadores expostos a ameaças, agressões verbais, medo, humilhação e tensão constante podem apresentar ansiedade, insônia, irritabilidade, absenteísmo, sintomas físicos, queda de desempenho e adoecimento relacionado ao trabalho.

A NR-7 estabelece que o PCMSO deve proteger e preservar a saúde dos empregados em relação aos riscos ocupacionais conforme a avaliação de riscos do PGR. Se o PGR identifica violência externa como risco, o PCMSO precisa acompanhar impactos de saúde com sigilo, dados agregados, escuta adequada e encaminhamento quando necessário.

A medicina ocupacional não deve expor diagnóstico ao gestor. Deve apoiar a empresa na leitura coletiva: setores com queixas, afastamentos, retorno ao trabalho, função crítica e medidas preventivas.

7. Não avaliar CAT/S-2210 quando há acidente relacionado à violência

A sétima falha é não investigar evento violento como possível acidente de trabalho quando há lesão, queda, crise aguda, ameaça grave, trauma relacionado à atividade, perseguição durante a função ou outra ocorrência vinculada ao trabalho. Muitas empresas tratam como “caso policial” ou “problema externo” e esquecem a dimensão ocupacional.

O Manual Web Geral do eSocial mantém o evento S-2210 para Comunicação de Acidente de Trabalho. Quando a ocorrência for caracterizada como acidente de trabalho, a empresa deve avaliar a comunicação, inclusive considerando que eventos sem afastamento também podem exigir análise técnica.

Isso não significa que qualquer conflito gere CAT automaticamente. Significa que a empresa deve registrar, investigar, avaliar nexo, ouvir medicina ocupacional e SST, envolver jurídico quando necessário e não descartar o tema sem análise.

Violência externa em portarias e condomínios

Portarias são pontos críticos porque concentram controle de acesso, frustração de visitantes, regras de moradores, entregas, prestadores, horários, veículos e situações de recusa. O trabalhador pode ser pressionado para liberar entrada, confrontado por regras que não criou e cobrado por decisões da administração.

A empresa ou condomínio precisa definir regras claras: quem autoriza acesso, o que fazer diante de recusa, quando acionar liderança, quando encerrar atendimento, como registrar ameaça, como proteger o porteiro, como lidar com reincidentes e como evitar que o trabalhador seja responsabilizado por cumprir procedimento.

Portaria segura não é apenas câmera. É protocolo, treinamento, apoio, barreira física adequada, comunicação e liderança que respalda o trabalhador.

Violência externa em lojas, mercados e farmácias

Lojas, supermercados, farmácias e restaurantes lidam com filas, preços, trocas, furtos, reclamações, atendimento sob pressão, caixa, manipulação de dinheiro, fechamento, horários de pico e consumidores exaltados. O trabalhador fica na linha de frente do conflito, muitas vezes sem autonomia real para resolver.

A empresa deve revisar layout, barreiras, iluminação, equipe de apoio, supervisão, comunicação de regras, procedimento de troca, gestão de filas, acesso a dinheiro, fechamento seguro, treinamento e registro de reincidências. O atendente não deve ser colocado como escudo de políticas comerciais mal comunicadas.

Quanto menos clara for a regra da empresa, maior a chance de o trabalhador receber a agressividade do público.

Violência externa em clínicas, hospitais e serviços de saúde

Serviços de saúde são ambientes sensíveis porque misturam dor, medo, urgência, espera, familiares, frustração, notícias difíceis, limitação de recursos, restrição de visitas e alto desgaste emocional. A OMS informa que 63% dos trabalhadores da saúde relatam ter sofrido alguma forma de violência no local de trabalho, o que reforça a necessidade de prevenção estruturada.

A resposta deve incluir fluxo de acolhimento, informação clara, apoio em recepção, gerenciamento de visitantes de risco, treinamento da liderança, proteção de equipe assistencial, sala adequada para comunicação difícil, canal de emergência, registro de ocorrências e acompanhamento pelo PCMSO.

A equipe de saúde não deve ser orientada apenas a “compreender o sofrimento do paciente”. Compreensão é necessária, mas não substitui segurança.

Violência externa, teleatendimento e atendimento digital

Violência externa também pode ocorrer por telefone, WhatsApp, redes sociais, chat, e-mail e plataformas de atendimento. Ofensas, ameaças, perseguição, exposição de nome, gravações, prints, pressão por resposta imediata e assédio digital podem afetar trabalhadores do SAC, cobrança, suporte, recepção, vendas e saúde.

A empresa deve definir limites de linguagem, scripts institucionais, bloqueio ou escalonamento de usuários abusivos, proteção da identidade do trabalhador quando necessário, canal de apoio, supervisão, pausas e registro. O atendimento remoto não elimina risco psicossocial.

A NR-17 possui anexo específico para teleatendimento/telemarketing e a própria página oficial do Ministério do Trabalho lista essa atividade dentro da NR-17, reforçando que atendimento mediado por tecnologia também exige atenção à organização do trabalho.

Checklist estratégico para violência externa no trabalho

Perguntas que a empresa precisa responder
  • O PGR identifica funções com exposição a violência externa?
  • A empresa mapeou portarias, recepções, caixas, balcões, atendimentos e postos isolados?
  • Existe histórico de ameaças, agressões verbais, tentativas de invasão, furtos ou conflitos?
  • Os trabalhadores sabem quando encerrar atendimento por risco?
  • A liderança apoia o trabalhador ou manda “resolver sozinho”?
  • Há protocolo para clientes, visitantes, pacientes, usuários ou moradores reincidentes?
  • Existe botão de emergência, canal rápido ou apoio operacional em postos críticos?
  • O layout protege o trabalhador ou o deixa exposto diretamente ao conflito?
  • Trabalhadores atuam sozinhos em horários de maior risco?
  • Terceirizados de portaria, vigilância e atendimento foram integrados ao PGR?
  • Ocorrências menores são registradas e analisadas por padrão?
  • O PCMSO acompanha impactos de saúde com sigilo e dados agregados?
  • Eventos com lesão, trauma ou afastamento são avaliados para CAT/S-2210?
  • Há treinamento de liderança para acolher o trabalhador após ocorrência?

Estudos de Caso AMBRAC

Os estudos de caso abaixo mostram como violência externa pode estar presente em diferentes setores e como a falta de fluxo transforma conflito previsível em passivo de SST.

Estudo de Caso 1 - Portaria de condomínio sem apoio ao trabalhador

Um condomínio empresarial exigia controle rígido de acesso, mas não oferecia suporte quando visitantes contestavam a regra. O porteiro era pressionado a decidir sozinho, recebia ameaças verbais e registrava ocorrências apenas em livro interno sem análise de SST.

  • Contexto: Posto de portaria com alto volume de visitantes e conflito recorrente por acesso;
  • Desafio: Transformar regra de acesso em protocolo seguro, com apoio institucional;
  • Diagnóstico AMBRAC: O PGR não considerava violência externa, posto isolado, reincidência e ausência de escalonamento;
  • Plano de ação: Protocolo de acesso, botão de emergência, apoio da administração, registro padronizado e treinamento de liderança;
  • Resultado: Redução da exposição individual do porteiro e maior controle sobre ocorrências repetidas.
Estudo de Caso 2 - Farmácia com atendentes expostos a conflito no caixa

Uma farmácia possuía atendentes em caixa e balcão que lidavam com preços, receitas, falta de produto, filas e clientes irritados. A empresa registrava apenas furtos, mas não ameaças, humilhações, gritos ou intimidações contra trabalhadores.

  • Contexto: Atendimento ao público com pressão comercial e conflitos frequentes;
  • Desafio: Reconhecer que agressão verbal recorrente também exige gestão preventiva;
  • Diagnóstico AMBRAC: A empresa tratava violência externa como insatisfação do cliente, sem registro no PGR e sem acompanhamento pelo PCMSO;
  • Plano de ação: Registro de ocorrências, apoio gerencial, script institucional, revisão de layout e treinamento para escalonamento seguro;
  • Resultado: Melhor proteção da equipe e redução de conflitos mantidos na linha de frente.
Estudo de Caso 3 - Clínica com recepção sobrecarregada por familiares

Uma clínica tinha recepção pequena, espera prolongada e comunicação confusa sobre atrasos. Familiares e pacientes direcionavam irritação à recepcionista, que permanecia sozinha em determinados horários e não tinha protocolo para acionar apoio.

  • Contexto: Serviço de saúde com alta carga emocional e conflito por espera;
  • Desafio: Reduzir exposição da recepção sem perder acolhimento ao paciente;
  • Diagnóstico AMBRAC: O risco nascia da combinação entre atraso, falta de comunicação, posto isolado e ausência de apoio da liderança;
  • Plano de ação: Fluxo de comunicação de espera, apoio em horários críticos, canal de emergência, registro de ocorrências e acompanhamento do PCMSO;
  • Resultado: Redução da pressão sobre a recepção e melhoria do controle preventivo de conflitos.

Leia também: postagens recomendadas

Para aprofundar o tema e fortalecer sua gestão de SST, confira também:

FAQ – dúvidas técnicas avançadas sobre violência externa no trabalho

Violência externa no trabalho gera dúvidas porque muitos eventos vêm de clientes, usuários, pacientes, visitantes ou terceiros. Mesmo assim, quando a exposição decorre da função, do ambiente, do horário ou da organização do atendimento, a empresa precisa avaliar o risco e adotar medidas preventivas.

Violência externa deve entrar no PGR?

Sim, quando houver exposição previsível a ameaças, agressões verbais, conflitos, intimidação, tentativas de invasão, assédio de terceiros, trabalho externo, portarias vulneráveis ou atendimento de alto desgaste. A NR-1 estrutura o PGR como instrumento de identificação, avaliação e controle de riscos ocupacionais. (gov.br)

Violência externa é só agressão física?

Não. Pode incluir ameaça, intimidação, agressão verbal, humilhação, assédio de clientes, perseguição, tentativa de invasão, exposição hostil, conflito recorrente e medo no posto de trabalho. O foco é avaliar o impacto na segurança e saúde do trabalhador.

A empresa é responsável por tudo que um cliente faz?

Não automaticamente. Mas, se a empresa conhece o risco, mantém trabalhadores expostos, não registra ocorrências, não fornece apoio e não adota medidas preventivas, pode ampliar seu passivo ocupacional e trabalhista.

Portarias e recepções são áreas críticas?

Sim. Portarias e recepções concentram controle de acesso, reclamações, espera, recusa de entrada, cobrança de regras e contato direto com terceiros. Por isso, precisam de protocolo, comunicação, apoio e registro.

O PCMSO deve acompanhar trabalhadores expostos a violência externa?

Sim, quando o PGR identifica esse risco. O PCMSO deve preservar sigilo médico, mas pode acompanhar impactos de saúde, afastamentos, queixas e indicadores agregados em setores expostos. (gov.br)

Agressão de cliente pode gerar CAT?

Pode, se caracterizada como acidente de trabalho ou evento relacionado ao trabalho. O eSocial possui o evento S-2210 para Comunicação de Acidente de Trabalho. A empresa deve avaliar caso concreto, nexo, lesão, afastamento, trauma e documentação. (gov.br)

Treinamento resolve violência externa?

Treinamento ajuda, mas não resolve sozinho. A empresa também precisa de layout seguro, apoio da liderança, regras claras, comunicação institucional, canal de emergência, registro, equipe suficiente e plano de ação.

Trabalhador pode encerrar atendimento em situação de risco?

A empresa deve ter protocolo claro para situações de risco. O trabalhador não deve ser obrigado a permanecer sozinho diante de ameaça, agressão ou intimidação sem apoio. A decisão precisa ser institucional, não improvisada.

Terceirizados de portaria e vigilância entram no PGR?

Devem ser integrados aos riscos do ambiente em que atuam. A contratante deve informar riscos, controlar acesso, alinhar protocolos, exigir documentação da prestadora e acompanhar ocorrências.

Qual é o maior erro das empresas com violência externa?

O maior erro é normalizar o conflito e deixar o trabalhador sozinho na linha de frente. Violência externa precisa de PGR, PCMSO, protocolo, liderança, emergência, registro e plano de ação.

Conclusão

Violência externa no trabalho em 2026 precisa ser tratada como risco ocupacional, especialmente em funções de atendimento, portaria, recepção, saúde, educação, comércio, transporte, cobrança, segurança, trabalho externo e postos isolados. O fato de a ameaça vir de cliente, visitante, paciente, usuário ou terceiro não elimina a necessidade de prevenção.

A OIT reconhece que violência e assédio afetam segurança e saúde no trabalho. A OMS destaca o tema como risco ocupacional relevante, especialmente no setor saúde. A NR-1 exige gerenciamento de riscos ocupacionais, e a NR-17 reforça a importância de adaptar condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. (ilo.org) (gov.br)

Por outro lado, organizações que registram ocorrências, treinam lideranças, protegem postos vulneráveis, integram terceirizados, criam protocolos e acompanham indicadores de saúde reduzem afastamentos, rotatividade, conflitos, processos e riscos de eventos graves. Em SST, atendimento ao público não pode significar abandono do trabalhador diante da violência.

Como a AMBRAC pode apoiar sua empresa

A AMBRAC atua na estruturação técnica da gestão de violência externa no trabalho, integrando PGR, PCMSO, riscos psicossociais, portarias, lojas, clínicas, escolas, atendimento ao público, trabalho externo, terceirizados, plano de emergência, CAT/S-2210 e documentação preventiva.

Revisão técnica de violência externa no PGR
  • Mapeamento de funções expostas a clientes, visitantes, pacientes, usuários e terceiros;
  • Identificação de postos vulneráveis, horários críticos, histórico de ocorrências e trabalho isolado;
  • Criação de protocolo de atendimento, escalonamento, encerramento seguro e acionamento de apoio;
  • Integração de portaria, vigilância, recepção, RH, liderança, terceiros e segurança patrimonial;
  • Organização de registros, indicadores, plano de ação e evidências preventivas.
PCMSO, liderança e resposta ocupacional
  • Acompanhamento de impactos de saúde com preservação de sigilo médico;
  • Análise agregada de afastamentos, queixas e ocorrências por setor, posto e período;
  • Treinamento de lideranças para acolher o trabalhador e não normalizar agressões;
  • Apoio técnico na avaliação de CAT/S-2210 quando houver acidente relacionado ao trabalho;
  • Construção de plano preventivo para reduzir conflitos, proteger equipes e fortalecer documentação.

Revise a violência externa antes que o atendimento vire risco invisível no PGR

Se a sua empresa possui portarias, recepções, caixas, lojas, clínicas, escolas, atendimento ao público, trabalho externo, vigilância, cobrança ou postos isolados sem protocolo para ameaças, conflitos e agressões de terceiros, existe uma lacuna crítica de SST. A AMBRAC apoia sua organização na revisão completa do PGR, PCMSO, registros, liderança, emergência e documentação preventiva. Solicitar diagnóstico de violência externa, PGR e PCMSO

 

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