Escadas na NR-35 em 2026 precisam ser tratadas como equipamentos de acesso e, em alguns casos, como posto de trabalho em altura, e não como solução simples, rápida e informal para “subir só um pouco”. A atualização da NR-35 incorporou o Anexo III sobre escadas de uso individual, aprovado pela Portaria MTE nº 1.680/2025, trazendo requisitos específicos para planejamento, capacitação, análise de risco, seleção da escada, inspeção, procedimento de uso, manutenção, sistema de proteção contra quedas e limitações de uso. Quando a empresa usa escadas sem critério técnico, sem AR, sem inspeção, sem treinamento, sem SPQ quando necessário e sem plano de emergência, transforma uma atividade aparentemente simples em uma falha crítica de SST.
A NR-35 estabelece requisitos e medidas de prevenção para o trabalho em altura, envolvendo planejamento, organização e execução, com objetivo de garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente. A norma se aplica a toda atividade com diferença de nível acima de 2 metros do nível inferior, onde haja risco de queda.
O Anexo III da NR-35, aprovado pela Portaria MTE nº 1.680/2025, estabelece requisitos e medidas de prevenção para a utilização de escadas como meios de acesso ou como postos de trabalho no trabalho em altura. O anexo se aplica às escadas de uso individual, classificadas como escada fixa vertical, escada portátil de encosto fixo ou extensível e escada portátil autossustentável.
Por Lucas Esteves, Especialista em Medicina e Segurança do Trabalho e Sócio da AMBRAC.
Por que escadas viraram tema crítico no PGR
Escadas estão presentes em quase todos os tipos de empresa: manutenção predial, estoque, almoxarifado, limpeza, facilities, lojas, condomínios, indústrias, obras, galpões, supermercados, escolas, clínicas, hospitais, escritórios, telecomunicações, logística e serviços terceirizados. Justamente por serem comuns, muitas vezes são tratadas como risco menor.
O problema é que a escada pode estar ligada a quedas, escorregamentos, perda de equilíbrio, choque elétrico, queda de ferramentas, instabilidade, esforço excessivo, postura inadequada, acesso improvisado, trabalho simultâneo, transporte inadequado, uso próximo a portas, vãos, áreas de circulação, redes energizadas e ausência de resgate.
A NR-35 exige que todo trabalho em altura seja planejado e organizado. Também exige que a organização garanta a implementação das medidas de prevenção, assegure a realização da Análise de Risco e, quando aplicável, a emissão da Permissão de Trabalho, além de elaborar procedimentos operacionais para atividades rotineiras de trabalho em altura.
“Escada não é detalhe operacional. Quando a empresa permite uso improvisado, sem análise de risco, sem inspeção, sem treinamento e sem avaliar se aquele é realmente o equipamento adequado, ela transforma uma tarefa rápida em exposição a queda.”
Lucas Esteves, AMBRAC
Escada como meio de acesso ou posto de trabalho: por que isso muda tudo
O Anexo III diferencia a escada usada como meio de acesso da escada usada como posto de trabalho. Meio de acesso é a estrutura usada para deslocamento entre níveis ou áreas. Posto de trabalho ocorre quando a escada é usada para posicionar o trabalhador e permitir a execução da atividade. Essa diferença é central para a análise de risco.
A utilização de escada como meio de acesso ou como posto de trabalho em altura deve ser precedida de análise de risco, em conformidade com a NR-35. Essa análise deve considerar adicionalmente qual tipo de equipamento de acesso é mais adequado à tarefa, levando em conta segurança e ergonomia.
Na prática, nem toda tarefa deve ser feita em escada. Dependendo da duração, esforço, necessidade de uso das duas mãos, peso de ferramentas, alcance lateral, postura, altura, proximidade de energia elétrica, risco de queda de materiais ou necessidade de estabilidade, o equipamento mais adequado pode ser plataforma, andaime, escada de uso coletivo, sistema de ancoragem, PEMT ou outro meio de acesso mais seguro.
Tabela prática: escadas na NR-35, evidência e falha comum
| Ponto de controle | Evidência esperada | Falha comum |
|---|---|---|
| Análise de risco | AR antes do uso da escada como meio de acesso ou posto de trabalho em altura | Tratar escada como tarefa simples, sem avaliar altura, piso, estabilidade, energia e resgate |
| Seleção da escada | Escolha conforme tarefa, tipo de escada, carga, alcance, duração, segurança e ergonomia | Usar a escada disponível, e não a escada adequada |
| Escada portátil | Uso restrito a serviços de pequeno porte e acessos temporários, com três pontos de contato | Usar escada portátil como plataforma permanente de trabalho |
| Inspeção | Inspeção inicial, antes do uso e periódica conforme fabricante ou projetista | Manter escadas tortas, trincadas, escorregadias ou sem sapatas em circulação |
| Capacitação | Treinamento de NR-35 incluindo uso seguro de escada de uso individual | Achar que experiência prática substitui treinamento formal |
| Procedimento | Procedimento operacional de uso e manutenção com carga, limitações e orientações | Não definir onde, como, quando e por quem a escada pode ser usada |
A tabela mostra que a escada exige gestão. O risco não está apenas na altura. Está na decisão de usar escada, na escolha do tipo, no estado do equipamento, na tarefa executada, no comportamento do trabalhador e na capacidade de resposta em emergência.
As 7 falhas críticas no uso de escadas na NR-35
1. Usar escada sem análise de risco
A primeira falha é tratar a escada como equipamento simples demais para exigir análise de risco. Esse é o ponto mais perigoso. A tarefa parece rápida: trocar uma lâmpada, alcançar uma prateleira, limpar uma superfície, acessar uma cobertura, ajustar uma placa, retirar material, fazer inspeção, instalar um cabo ou revisar uma calha. Mas a queda pode ocorrer em segundos.
O Anexo III da NR-35 determina que a utilização de escada como meio de acesso ou como posto de trabalho em altura deve ser precedida de análise de risco. A análise deve considerar o equipamento de acesso mais adequado à tarefa, considerando segurança e ergonomia.
Na prática, a análise precisa responder: a escada é realmente o meio mais seguro? O piso é estável? Há risco elétrico? A tarefa exige as duas mãos? Há transporte de material? O trabalhador ficará inclinado? Existe circulação de pessoas? Há abertura, porta, vão ou veículo próximo? Existe plano de emergência? Sem essas respostas, o uso vira improviso.
2. Usar escada portátil para serviço que não é de pequeno porte
A segunda falha é transformar escada portátil em plataforma permanente de trabalho. O Anexo III estabelece que a escada portátil deve ter uso restrito para serviços de pequeno porte e acessos temporários. Também determina que, durante subida e descida, o trabalhador esteja apoiado em três pontos. Quando a escada portátil for usada como posto de trabalho e não for possível manter três pontos de contato, deve ser utilizado sistema de proteção contra quedas nos termos da NR-35.
Esse requisito muda a prática de muitas empresas. Não é aceitável usar escada portátil para tarefa longa, com esforço lateral, transporte de carga, ferramentas pesadas, postura instável, alcance excessivo ou necessidade de trabalhar com as duas mãos sem proteção adequada.
A pergunta correta é: a tarefa é realmente pequena, temporária, simples e executável com segurança? Se a resposta for não, a empresa deve escolher outro meio de acesso ou acrescentar medidas de proteção.
3. Não ter procedimento operacional de uso e manutenção
A terceira falha é comprar escadas e deixar que cada trabalhador decida como usar, transportar, apoiar, guardar, reparar e inspecionar. O Anexo III determina que a organização deve possuir procedimento operacional de uso e manutenção das escadas portáteis de uso individual. Esse procedimento deve conter orientações básicas de uso e manutenção, número máximo de usuários simultâneos quando aplicável, carga máxima suportada e limitações de uso.
Um procedimento eficiente deve definir locais proibidos, inspeção antes do uso, condições de piso, apoio, inclinação, transporte em veículos, armazenamento, limpeza, retirada de uso, reparo, responsabilidade pela liberação e regras para uso próximo a eletricidade.
Sem procedimento, a empresa depende da experiência individual. Em trabalho em altura, experiência sem padrão pode virar tolerância ao risco.
4. Manter escadas com defeitos em uso
A quarta falha é permitir que escadas danificadas continuem circulando. Degraus soltos, sapatas gastas, travas com folga, montantes amassados, trincas, deformações, madeira pintada que esconde defeitos, fibra danificada, sujeira escorregadia e marcação ilegível são sinais de risco.
O Anexo III determina que a escada de uso individual deve resistir às cargas aplicadas, ser construída com materiais e acabamento que não causem lesões, ser submetida à inspeção inicial e periódica e ser retirada de uso quando apresentar defeitos ou imperfeições suscetíveis de comprometer seu desempenho. Quando recuperável, deve ser reparada pelo fabricante, empresa especializada ou trabalhador capacitado, com liberação após inspeção do responsável.
O erro é “dar mais uma chance” para a escada. Em NR-35, equipamento duvidoso deve sair de operação até avaliação e liberação formal.
5. Não capacitar trabalhadores para uso seguro de escadas
A quinta falha é achar que todo mundo sabe usar escada porque usa em casa. Trabalho em altura não é atividade doméstica. A NR-35 considera trabalhador capacitado aquele submetido e aprovado em treinamento teórico e prático, inicial, periódico e eventual. O treinamento inicial deve ter carga horária mínima de 8 horas e abordar normas, análise de risco, condições impeditivas, riscos potenciais, medidas de prevenção, EPC, EPI, acidentes típicos e emergência.
O Anexo III acrescenta que, quando houver utilização de escada de uso individual como meio de acesso ou posto de trabalho em altura, o trabalhador deve ser capacitado conforme o capítulo 35.4 da NR-35, incluindo a utilização segura da escada de uso individual.
Capacitação deve ser prática: como inspecionar, como apoiar, como subir, como manter três pontos de contato, como identificar limitação de uso, quando parar, quando exigir outro equipamento e como agir em emergência.
6. Ignorar requisitos de escada fixa vertical
A sexta falha é tratar escada fixa vertical como estrutura permanente que “sempre esteve ali”. O fato de estar instalada há anos não significa que está adequada. O Anexo III prevê requisitos para escada fixa vertical de uso individual, incluindo largura, espaçamento entre degraus, continuação dos montantes ou corrimão, distância mínima da estrutura, sistema de proteção contra quedas e projeto elaborado por profissional legalmente habilitado considerando dimensões, resistências, segurança nos acessos e SPQ selecionado.
O anexo também prevê que escada fixa vertical de uso individual com mais de 10 metros de altura deve ter plataformas de descanso, com distância máxima de 6 metros entre duas plataformas.
Na prática, a empresa precisa revisar escadas fixas existentes, especialmente em reservatórios, silos, coberturas, torres, caixas d’água, áreas técnicas, telhados, fachadas, galpões e estruturas industriais. O risco não está apenas no acesso; está na queda durante subida, descida, transição para plataforma e resgate.
7. Não prever emergência e salvamento
A sétima falha é usar escada sem pensar no que acontece se houver queda, mal súbito, suspensão inerte, trauma, trabalhador preso, impossibilidade de descida, bloqueio de acesso ou acidente com ferramenta. A NR-35 exige que a organização estabeleça, implemente e mantenha procedimentos de resposta aos cenários de emergência de trabalho em altura.
Além disso, a própria capacitação inicial da NR-35 inclui condutas em situações de emergência, noções básicas de resgate e primeiros socorros. A aptidão para trabalho em altura deve ser consignada no ASO, e a organização deve avaliar o estado de saúde dos empregados que exercem atividades em altura conforme NR-7, considerando patologias que possam originar mal súbito e queda de altura, bem como fatores psicossociais.
Escada sem plano de emergência é um risco subestimado. A empresa precisa saber quem aciona, quem responde, como acessa, como retira, quais equipamentos existem, qual tempo de resposta e quais cenários foram considerados.
Escada portátil de encosto: cuidados que não podem ser improvisados
A escada portátil de encosto exige atenção especial porque depende do apoio, da superfície, da estabilidade, da inclinação, da fixação e do comportamento do trabalhador. O Anexo III determina que a escada portátil de encosto deve ser selecionada considerando carga estabelecida pelo fabricante ou projetista, peso aplicado durante acesso ou tarefa, trabalhador, equipamentos, materiais, esforços quando houver sistemas de proteção contra quedas e situações de resgate.
Também determina inspeção no recebimento ou liberação inicial para uso, antes do uso e periodicamente, conforme recomendações do fabricante ou projetista. A escada de encosto não deve ser colocada nas proximidades de portas, áreas de circulação, aberturas ou vãos, exceto quando adotadas medidas de prevenção; e deve ultrapassar o nível superior em, no mínimo, 1 metro quando utilizada como meio de acesso.
Esses requisitos mostram que a escada não é “apoiar e subir”. A empresa precisa controlar o contexto de uso.
Escada extensível e autossustentável: riscos diferentes, controles diferentes
A escada extensível portátil de encosto exige fixação em mais de um ponto, e suas guias e travas devem assegurar o travamento entre as partes deslizantes. Quando não for possível fixar em mais de um ponto, deve ser fixada em estrutura resistente e estável em pelo menos um ponto de apoio, preferencialmente no nível superior.
A escada portátil autossustentável deve ser utilizada somente com os limitadores operantes na abertura máxima e nas posições indicadas pelo fabricante. Além disso, ferramentas e materiais não podem comprometer sua estabilidade, e, se apoiados na escada, devem estar protegidos contra queda acidental. A escada autossustentável de uso individual deve possuir, no máximo, 6 metros de comprimento quando fechada.
Cada tipo de escada possui risco específico. Escada extensível exige controle de travas e fixação. Escada autossustentável exige abertura correta, limitadores operantes e estabilidade. Tratar todas da mesma forma é erro de procedimento.
Escadas e eletricidade: risco que precisa aparecer na análise
A análise de risco deve considerar riscos adicionais. Em atividades próximas a instalações elétricas, redes, quadros, luminárias, fachadas, postes, máquinas energizadas ou cabos, a escolha do tipo de escada e do material passa a ser crítica.
O Anexo III prevê que a marcação da escada portátil de uso individual contenha, entre outros elementos, indicação de isolamento elétrico, se houver. Esse requisito de marcação entra em vigor a partir de 04 de janeiro de 2027, mas a gestão do risco elétrico não deve esperar o prazo para existir.
Na prática, a empresa precisa avaliar se a escada é compatível com o risco elétrico, se há desenergização, se existe distância segura, se o trabalhador foi orientado, se o procedimento proíbe uso de escada metálica em determinadas condições e se a atividade exige medidas complementares.
Escadas, terceiros e responsabilidade da contratante
Muitas atividades com escadas são realizadas por terceiros: limpeza, manutenção, instalação, pintura, ar-condicionado, telecom, elétrica, fachada, acesso a cobertura, troca de luminárias, dedetização, jardinagem e facilities. A empresa contratante não deve presumir que a contratada controla tudo.
A NR-35 impõe à organização deveres de prevenção, incluindo assegurar avaliação prévia das condições no local, acompanhar o cumprimento das medidas de prevenção por prestadoras de serviço e garantir que qualquer trabalho em altura só se inicie depois de adotadas as medidas de prevenção definidas na norma.
Isso exige integração: qual escada será usada, quem está treinado, qual AR foi feita, se haverá PT, quais EPIs serão utilizados, como será o isolamento da área, quem autoriza a atividade, quais medidas de emergência existem e quem acompanha a execução.
Checklist estratégico para revisar escadas na NR-35
Perguntas que a empresa precisa responder
- Todas as atividades com escadas acima de 2 metros e risco de queda foram mapeadas no PGR?
- Existe análise de risco antes de usar escada como meio de acesso ou posto de trabalho?
- A análise considera se a escada é realmente o equipamento mais adequado à tarefa?
- Escadas portáteis são usadas apenas para serviços de pequeno porte e acessos temporários?
- O trabalhador consegue manter três pontos de contato durante subida e descida?
- Quando a escada é usada como posto de trabalho sem três pontos de contato, há SPQ adequado?
- A empresa possui procedimento operacional de uso e manutenção de escadas portáteis?
- O procedimento informa carga máxima, número de usuários, orientações e limitações de uso?
- As escadas são inspecionadas no recebimento, antes do uso e periodicamente?
- Escadas com defeitos são retiradas de uso e liberadas somente após reparo e inspeção?
- Trabalhadores têm capacitação NR-35 com conteúdo específico de uso seguro de escadas?
- Escadas fixas verticais foram avaliadas quanto a projeto, dimensões, SPQ e plataformas de descanso?
- Atividades próximas a energia elétrica possuem controle específico na análise de risco?
- Terceiros que usam escadas passam por integração, AR, PT quando aplicável e controle documental?
- Há procedimento de emergência e resgate para cenários envolvendo escadas?
Estudos de Caso AMBRAC
Os estudos de caso abaixo mostram como o uso de escadas pode parecer simples, mas gerar falhas graves quando não há planejamento, procedimento e controle operacional.
Estudo de Caso 1 - Escada portátil usada como posto de trabalho permanente
Uma equipe de manutenção utilizava escada portátil para tarefas recorrentes em altura, com duração prolongada e uso das duas mãos. A empresa considerava a atividade simples, sem PT e sem análise específica, porque a altura não era vista como elevada pela liderança.
- Contexto: Manutenção predial com uso frequente de escada portátil;
- Desafio: Demonstrar que escada portátil não deve substituir equipamento de acesso mais adequado em atividade prolongada;
- Diagnóstico AMBRAC: A atividade era tratada como rotina, mas envolvia trabalho em altura, perda de três pontos de contato e ausência de SPQ;
- Plano de ação: Revisão da AR, seleção de equipamento adequado, procedimento de escadas, treinamento NR-35 e critérios para PT;
- Resultado: Redução do improviso e melhor controle das atividades de manutenção em altura.
Estudo de Caso 2 - Escadas danificadas continuavam no estoque
Uma empresa possuía várias escadas no almoxarifado, mas não havia inspeção formal. Algumas apresentavam sapatas gastas, degraus danificados e marcação ilegível. Como não existia responsável pela liberação, trabalhadores escolhiam qualquer equipamento disponível.
- Contexto: Estoque de escadas sem controle de inspeção e retirada de uso;
- Desafio: Criar rastreabilidade mínima de condição, liberação e manutenção;
- Diagnóstico AMBRAC: O risco estava na ausência de procedimento operacional e inspeção periódica;
- Plano de ação: Inventário de escadas, etiqueta de liberação, checklist antes do uso, retirada de equipamentos defeituosos e treinamento de usuários;
- Resultado: Redução de uso de escadas inadequadas e maior controle documental para auditorias.
Estudo de Caso 3 - Terceirizada usava escada sem integração NR-35
Uma contratada realizava manutenção em fachada usando escada extensível. A contratante não verificava treinamento, análise de risco, fixação, isolamento de área, condição da escada, plano de emergência ou aptidão para trabalho em altura.
- Contexto: Serviço terceirizado de manutenção com uso de escada em área de circulação;
- Desafio: Integrar responsabilidades entre contratante e contratada antes do início da atividade;
- Diagnóstico AMBRAC: A contratante delegava a execução, mas não controlava medidas mínimas de NR-35 no local;
- Plano de ação: Checklist de mobilização, exigência de AR, comprovação de capacitação, inspeção da escada, isolamento da área e definição de emergência;
- Resultado: Maior segurança na contratação e redução de falhas em atividades eventuais em altura.
Leia também: postagens recomendadas
Para aprofundar o tema e fortalecer sua gestão de SST, confira também:
- APR e Permissão de Trabalho em 2026: 7 falhas críticas;
- Plano de emergência no PGR em 2026: 7 falhas críticas;
- Terceirizados e PGR em 2026: 7 falhas que expõem contratantes;
- Máquinas e equipamentos na NR-12 em 2026: 7 falhas críticas;
- Ordem de serviço SST em 2026: 7 falhas críticas;
- Plano de ação do PGR em 2026: 7 falhas críticas;
- Inspeções de segurança no PGR em 2026: 7 falhas preventivas.
FAQ – dúvidas técnicas avançadas sobre escadas na NR-35
Escadas geram dúvida porque são equipamentos comuns, baratos e presentes em quase todas as empresas. Mas, quando utilizadas em trabalho em altura, precisam estar dentro de um sistema preventivo: análise de risco, capacitação, procedimento, inspeção, equipamento adequado, proteção contra quedas e emergência.
Quando a NR-35 se aplica ao uso de escadas?
A NR-35 se aplica a toda atividade com diferença de nível acima de 2 metros do nível inferior, onde haja risco de queda. Portanto, se a escada for usada em condição que enquadre trabalho em altura, a atividade deve seguir os requisitos da norma.
O Anexo III da NR-35 vale para qualquer escada?
O Anexo III se aplica às escadas de uso individual. O próprio anexo informa que seu campo de aplicação não alcança escadas de uso coletivo, sem alterar requisitos específicos sobre o tema previstos em outras NRs.
Quais tipos de escada de uso individual aparecem no Anexo III?
O Anexo III classifica as escadas de uso individual como escada fixa vertical, escada portátil de encosto fixo ou extensível e escada portátil autossustentável.
Escada sempre pode ser usada como posto de trabalho?
Não. A seleção da escada como meio de acesso ou posto de trabalho deve considerar sua característica e se a tarefa pode ser feita com segurança. A escada portátil deve ter uso restrito a serviços de pequeno porte e acessos temporários.
É obrigatório manter três pontos de contato?
Durante a subida e descida de escadas portáteis, o trabalhador deve estar apoiado em três pontos. Quando a escada portátil for usada como posto de trabalho e não for possível manter três pontos de contato, deve ser utilizado sistema de proteção contra quedas nos termos da NR-35.
A empresa precisa ter procedimento para escada portátil?
Sim. O Anexo III determina que a organização possua procedimento operacional de uso e manutenção das escadas portáteis de uso individual, contendo orientações básicas, número máximo de usuários simultâneos quando aplicável, carga máxima suportada e limitações de uso.
A escada precisa ser inspecionada?
Sim. A escada de uso individual deve ser submetida a inspeção inicial e periódica. No caso da escada portátil de encosto, o Anexo III exige inspeção no recebimento ou liberação inicial para uso, antes do uso e periodicamente, conforme recomendações do fabricante ou projetista.
Escada com defeito pode continuar em uso até ser substituída?
Não deve. O Anexo III determina que a escada de uso individual seja retirada de uso quando apresentar defeitos ou imperfeições suscetíveis de comprometer seu desempenho.
Trabalhador precisa de treinamento específico para usar escada em altura?
Sim. O trabalhador deve ser capacitado conforme o capítulo 35.4 da NR-35, e a capacitação deve incluir a utilização segura de escada de uso individual. O treinamento inicial de NR-35 tem carga horária mínima de 8 horas.
Aptidão para trabalho em altura precisa constar no ASO?
Sim. A NR-35 determina que a aptidão para trabalho em altura seja consignada no ASO do trabalhador, conforme avaliação de saúde prevista na NR-7.
Qual é o maior erro das empresas com escadas na NR-35?
O maior erro é tratar escada como equipamento simples demais para entrar no PGR. Quando há trabalho em altura, a escada precisa de análise de risco, procedimento, inspeção, treinamento, seleção adequada e plano de emergência.
Conclusão
Escadas na NR-35 em 2026 exigem uma mudança prática de cultura. A empresa não pode mais tratar escada como solução improvisada para qualquer acesso ou tarefa rápida em altura. O Anexo III reforça que a escada de uso individual precisa ser selecionada, analisada, inspecionada, usada com procedimento e integrada ao planejamento do trabalho em altura.
As principais falhas aparecem quando a empresa não faz análise de risco, usa escada portátil para atividade prolongada, não garante três pontos de contato, não adota SPQ quando necessário, não inspeciona equipamentos, mantém escadas danificadas em uso, não capacita trabalhadores e não prevê emergência.
Por outro lado, organizações que tratam escadas como parte do PGR conseguem reduzir improvisos, controlar terceiros, melhorar a escolha do equipamento de acesso e fortalecer a prevenção de quedas. Em trabalho em altura, o risco não está apenas em estar alto; está em subir sem método.
Como a AMBRAC pode apoiar sua empresa
A AMBRAC atua na revisão e estruturação da gestão de escadas na NR-35, integrando PGR, análise de risco, Permissão de Trabalho, procedimento operacional, inspeções, treinamentos, ASO, EPI, SPQ, plano de emergência, terceiros e evidências preventivas.
Revisão técnica de escadas e trabalho em altura
- Mapeamento de atividades com escadas acima de 2 metros e risco de queda;
- Revisão da análise de risco e critérios para uso de escada como meio de acesso ou posto de trabalho;
- Estruturação de procedimento de uso, manutenção, inspeção e retirada de escadas de uso;
- Auditoria de escadas fixas, portáteis de encosto, extensíveis e autossustentáveis;
- Integração entre NR-35, PGR, plano de emergência e gestão de terceiros.
Capacitação, ASO e evidências preventivas
- Revisão de treinamentos de NR-35 e inclusão do uso seguro de escadas de uso individual;
- Conferência de ASO com aptidão para trabalho em altura quando aplicável;
- Criação de checklists de inspeção antes do uso, inspeção periódica e liberação de equipamentos;
- Definição de critérios para PT, SPQ, isolamento de área e resposta a emergências;
- Organização documental para auditorias, fiscalizações e demandas trabalhistas.
Revise suas escadas antes que uma atividade simples revele falhas graves na NR-35
Se a sua empresa usa escadas em manutenção, limpeza, estoque, acesso a coberturas, áreas técnicas, fachadas ou serviços terceirizados, mas ainda não possui análise de risco, procedimento, inspeção, treinamento e plano de emergência bem definidos, existe uma lacuna crítica de SST. A AMBRAC apoia sua organização na estruturação completa da gestão de escadas na NR-35, com método, rastreabilidade e prevenção real. Solicitar diagnóstico de escadas na NR-35
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