O mês de janeiro tradicionalmente marca o início de novos ciclos. No calendário corporativo, a campanha Janeiro Branco reforça a importância da saúde mental. Em 2026, porém, o tema ultrapassa a esfera da conscientização e entra no campo da obrigatoriedade técnica: a gestão de riscos psicossociais passa a ser tratada como parte integrante do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e precisa constar, de forma rastreável e auditável, no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Isso significa que iniciativas pontuais — palestras isoladas e comunicações internas genéricas — já não sustentam conformidade nem reduzem exposição jurídica. O que passa a diferenciar empresas maduras é a capacidade de demonstrar, documentalmente, como identificam, avaliam e controlam fatores organizacionais que podem adoecer a mente dos trabalhadores, com plano de ação, responsáveis, prazos e monitoramento.
Por Lucas Esteves — Especialista em Medicina e Segurança do Trabalho e Sócio da AMBRAC.
Janeiro Branco em 2026: de campanha a evidência técnica
Durante anos, muitas organizações trataram a saúde mental como um tema “de RH”, limitado a ações de sensibilização. Em 2026, essa abordagem é insuficiente. O ambiente regulatório e o aumento dos afastamentos por transtornos mentais elevam a exigência por governança e registros consistentes, porque o risco psicossocial — quando não gerenciado — se traduz em falhas operacionais, presenteísmo, absenteísmo, conflitos, acidentes e passivos.
“Em 2026, saúde mental no trabalho não é apenas pauta institucional — é gestão de risco. Se não está no GRO e no PGR com plano de ação e monitoramento, a empresa opera com vulnerabilidade.”
— Lucas Esteves
O que a NR-01 exige sobre riscos psicossociais
A NR-01 estabelece o GRO como um processo contínuo e determina que o PGR consolide o inventário de riscos e o plano de ação. Em 2026, a leitura técnica é objetiva: riscos psicossociais precisam ser considerados no gerenciamento porque decorrem da organização do trabalho, da liderança, das relações interpessoais e de condições que impactam a saúde mental e o desempenho.
Para estar em conformidade, a empresa deve demonstrar:
- Identificação dos perigos psicossociais (onde, quando e como ocorrem);
- Avaliação do risco (probabilidade e severidade de danos);
- Controles implementados (medidas preventivas e corretivas);
- Monitoramento da eficácia (indicadores e revisões periódicas).
Conexões normativas: por que a NR-01 não opera sozinha
A gestão de riscos psicossociais dialoga diretamente com outras referências e obrigações que, na prática, se complementam:
- NR-17 (Ergonomia): organização do trabalho, exigências cognitivas, ritmo, pausas, sobrecarga e desenho de tarefas;
- Lei nº 14.457/2022: fortalecimento de práticas preventivas relacionadas a assédio e ambiente organizacional;
- Regras e rotinas internas (canais de denúncia, políticas de conduta, treinamentos e governança de lideranças).
Comparativo: Janeiro Branco “de campanha” x Janeiro Branco “em conformidade”
| Abordagem superficial | Abordagem 2026 (NR-01 / GRO / PGR) |
|---|---|
| Ação pontual (palestra / comunicado) | Processo contínuo (inventário, plano de ação e monitoramento) |
| Responsabilidade concentrada no RH | Governança integrada (liderança, SST, jurídico e gestão) |
| Sem evidência documental | Evidência auditável no PGR (critérios, responsáveis, prazos) |
| Indicadores de vaidade | Indicadores de risco (absenteísmo, presenteísmo, turnover, incidentes) |
Como identificar riscos psicossociais na prática
Diferente de ruído ou agentes químicos, riscos psicossociais exigem diagnóstico técnico e leitura da organização do trabalho. Para fortalecer o inventário de riscos do PGR, é recomendável mapear fatores como:
- Sobrecarga de trabalho: metas incompatíveis, acúmulo de funções e pressão contínua;
- Baixa autonomia e controle excessivo: pouca margem de decisão sobre como executar tarefas;
- Relações interpessoais conflituosas: liderança abusiva, isolamento, falta de suporte e assédio;
- Comunicação deficiente: ambiguidade de funções, expectativa não alinhada e ruído entre áreas;
- Desequilíbrio vida-trabalho: exigência de disponibilidade permanente e desconexão inexistente;
- Pausas canceladas e ritmo intenso: fadiga, erro humano e aumento de acidentes por desatenção.
O ciclo do GRO aplicado à saúde mental
O GRO não é documento “de gaveta”. Em 2026, a gestão precisa seguir lógica de melhoria contínua, com etapas claras:
1. Planejar e diagnosticar
Identificar gatilhos e fontes de estresse por meio de entrevistas, observação do trabalho real, dados de afastamentos, indicadores de clima e análises ergonômicas quando aplicável.
2. Executar o plano de ação
Redesenhar processos, corrigir sobrecarga, treinar lideranças, formalizar rotinas de prevenção ao assédio, organizar pausas e criar fluxos de suporte.
3. Monitorar
Acompanhar absenteísmo, presenteísmo, rotatividade, incidentes relacionados a atenção/fadiga e eficácia das medidas implantadas.
4. Corrigir e melhorar
Revisar controles, reforçar medidas e atualizar o PGR sempre que o cenário organizacional mudar.
Consequências da má gestão: custo jurídico, previdenciário e operacional
Ignorar riscos psicossociais deixa de ser “falha de bem-estar” e passa a ser falha de conformidade e governança. Em 2026, os impactos mais comuns incluem:
- Não conformidade no PGR (inventário incompleto e plano de ação ineficaz);
- Elevação de afastamentos e perda de produtividade por presenteísmo;
- Aumento de conflitos, incidentes e erros operacionais por fadiga e desatenção;
- Ampliação de passivos trabalhistas e dano reputacional.
“Risco psicossocial não é ‘subjetivo’ quando ele aparece em indicadores: afastamentos, erros, rotatividade e incidentes. O GRO existe para transformar isso em controle e prevenção.”
— Lucas Esteves
Conclusão
Em 2026, o Janeiro Branco é uma oportunidade de reposicionar a saúde mental como eixo de prevenção, produtividade e conformidade. Empresas que integram riscos psicossociais ao GRO e estruturam o PGR com evidências auditáveis reduzem passivos, fortalecem cultura de segurança e melhoram desempenho sustentável.
Como a AMBRAC pode apoiar sua empresa
Gestão preventiva e integrada
- Diagnóstico técnico e estruturação de riscos psicossociais no GRO e no PGR;
- Elaboração e revisão de documentos de SST com foco em evidência e rastreabilidade;
- Treinamentos e ações de prevenção (liderança, conduta, assédio, organização do trabalho);
- Padronização de rotinas e suporte na governança de indicadores de saúde ocupacional.
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