O estresse e a fadiga em profissionais de saúde não são fenômenos isolados nem exclusivamente individuais. Evidências científicas mostram que fatores organizacionais, estrutura das alas e práticas de gestão exercem papel determinante sobre o bem-estar e a segurança desses trabalhadores — com impactos diretos também na qualidade do cuidado ao paciente.
Por Lucas Esteves — Especialista em Medicina e Segurança do Trabalho e Sócio da AMBRAC.
Metodologia do estudo
Um estudo longitudinal acompanhou 695 profissionais de saúde (healthcare workers – HCWs) distribuídos em 32 alas hospitalares de hospitais universitários da região de Paris. A pesquisa foi conduzida entre fevereiro de 2018 e julho de 2019.
O desenho metodológico utilizou análise multinível, permitindo avaliar medidas repetidas ao longo do tempo tanto em nível individual quanto organizacional (alas). Esse modelo possibilitou identificar preditores consistentes de estresse e fadiga, considerando a interação entre pessoa, trabalho e ambiente.
Amostra e contexto organizacional
Na linha de base, a amostra era composta por:
- 384 enfermeiras(os) registradas(os);
- 300 auxiliares de enfermagem;
- 11 parteiras.
As alas hospitalares apresentavam média de 35,5 leitos por ala. O estudo demonstrou que o ambiente da ala influencia significativamente os níveis de estresse e fadiga, além das características individuais dos trabalhadores.
Preditores comuns de estresse e fadiga
Alguns fatores apareceram de forma consistente associados tanto ao estresse elevado quanto à fadiga elevada:
- Baixo suporte social por parte da supervisão;
- Supercomprometimento com o trabalho;
- Presenteísmo por doença (trabalhar mesmo adoecido);
- Maior número de leitos por ala.
“O estudo evidencia que não é apenas o indivíduo que adoece, mas o contexto organizacional que sustenta ou agrava o estresse e a fadiga.”
— Lucas Esteves
Preditores específicos de estresse elevado
Alguns fatores mostraram associação mais direta com níveis elevados de estresse, mas não necessariamente com fadiga:
- Eventos negativos recentes na vida pessoal;
- Baixo suporte social entre colegas;
- Pausas frequentemente canceladas devido à sobrecarga de trabalho.
Esses achados reforçam a importância das microdinâmicas do dia a dia, como pausas, apoio entre pares e previsibilidade da rotina.
Preditores específicos de fadiga elevada
Já a fadiga crônica apresentou associação com outros fatores organizacionais e logísticos:
- Tempo de deslocamento prolongado até o trabalho;
- Uso frequente de equipes interinas ou temporárias;
- Trabalho em alas menores.
Esses elementos indicam que a fadiga não se limita à carga de trabalho direta, mas envolve estrutura, logística e continuidade das equipes.
O que o estudo revela para a gestão em saúde
O principal achado é que estresse e fadiga não são apenas questões individuais. Eles são fortemente modulados por:
- Estilo de liderança;
- Organização das equipes;
- Dimensão e estrutura das alas;
- Cultura de suporte e segurança.
Ignorar esses fatores tende a perpetuar ciclos de adoecimento, absenteísmo, presenteísmo e erros assistenciais.
Recomendações práticas apontadas pelo estudo
Com base nos resultados, os autores sugerem intervenções organizacionais, tais como:
- Treinamento de gestores e supervisores para fortalecimento do suporte à equipe;
- Melhoria da cultura de segurança e cuidado mútuo;
- Proteção efetiva das pausas durante o trabalho;
- Redução do uso excessivo de equipes interinas;
- Atenção à carga estrutural (número de leitos por ala).
Conclusão
O estudo reforça que bem-estar em saúde ocupacional exige olhar sistêmico. Intervenções focadas apenas no indivíduo são insuficientes quando o ambiente organizacional continua produzindo estresse e fadiga.
Investir em liderança, organização do trabalho e cultura de suporte não é apenas uma ação de cuidado com o trabalhador, mas uma estratégia de segurança assistencial, sustentabilidade operacional e qualidade do cuidado ao paciente.
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